Procedimentos endovasculares

Stent na cabeça: para que serve, quais os riscos e como é a vida depois

O stent é um pequeno tubo de malha metálica colocado por dentro do vaso, sem abrir o crânio. Na cabeça e no pescoço ele tem quatro usos diferentes — e entender qual é o seu muda as perguntas certas a fazer.

O que é um stent na cabeça

É um tubo de malha metálica muito fina, do calibre do vaso, que chega até o cérebro por dentro das artérias — por um cateter que entra pela virilha ou pelo punho. Lá ele se abre e fica para sempre, encostado na parede do vaso. Com o tempo, a própria parede cresce por cima da malha e o stent passa a fazer parte dela.

Não há corte na cabeça nem pontos no couro cabeludo. O procedimento é feito em sala de angiografia, em geral com anestesia geral, e a internação costuma ser curta.

Os quatro usos do stent na cabeça e no pescoço

"Stent na cabeça" pode querer dizer coisas bem diferentes. Os usos mais comuns:

  • Aneurisma cerebral. O diversor de fluxo é um stent de malha bem fechada que desvia o sangue do aneurisma — sem precisar de molas, ele se fecha sozinho nos meses seguintes. Em aneurismas de colo largo, um stent comum segura as molas dentro do aneurisma.
  • Carótida estreitada. Na angioplastia de carótida, o stent abre a artéria do pescoço por cima da placa de gordura, para prevenir o AVC.
  • Seio venoso estreitado. Na angioplastia de seio venoso, o stent abre uma veia grande do cérebro, em casos selecionados de hipertensão intracraniana e de zumbido pulsátil.
  • Artéria estreitada dentro do crânio. Na estenose intracraniana, o stent é reservado para casos escolhidos, que continuam tendo AVC apesar do melhor tratamento com remédios.
Ilustração realista — Diversor de fluxo no aneurismaDiversor de fluxo no aneurisma
Ilustração realista — Stent segurando as molasStent segurando as molas
Ilustração realista — Stent na carótidaStent na carótida
Ilustração realista — Stent no seio venosoStent no seio venoso
Quatro stents diferentes: o diversor de fluxo e o stent com molas, nos aneurismas; o stent da carótida, no pescoço; e o do seio venoso, numa veia do cérebro.

Stent na cabeça é perigoso?

Todo procedimento dentro dos vasos do cérebro tem riscos, e eles precisam ser conversados antes. Os principais são:

  • AVC durante ou depois do procedimento, por um pequeno coágulo ou fragmento de placa;
  • trombose do stent — o stent entupir —, principalmente se os remédios forem interrompidos;
  • sangramento no local da punção (virilha ou punho) e, mais raramente, dentro da cabeça;
  • reação ao contraste e, em casos muito raros, lesão do próprio vaso.

O tamanho de cada risco depende do tipo de stent, do vaso e da doença. Por isso a indicação é sempre uma conta: o risco do procedimento contra o risco de não tratar. Quando o stent é indicado, é porque a doença, deixada como está, oferece mais perigo.

Os remédios depois do stent

Como o stent é um corpo estranho dentro do vaso, o sangue tende a formar coágulo sobre ele até a parede crescer por cima. Por isso, quase todo paciente com stent toma antiagregantes plaquetários — os remédios que deixam as plaquetas menos "grudentas". Os mais usados são o AAS, o clopidogrel, o prasugrel e o ticagrelor. Em geral são dois juntos por alguns meses e depois um só, por tempo prolongado — a combinação e o prazo são definidos para cada caso.

Importante

Não pare nem troque o antiagregante sem indicação da equipe que acompanha o seu stent — nem por alguns dias, nem para extrair um dente, fazer uma endoscopia ou uma cirurgia. Interromper antes da hora é a principal causa de trombose do stent, que pode causar um AVC. Se outro médico ou o dentista pedir a suspensão, ele deve falar antes com a equipe que fez o procedimento.

Quem tem stent na cabeça pode fazer ressonância?

Na grande maioria das vezes, sim. Os stents usados hoje no cérebro e no pescoço são compatíveis com ressonância magnética em condições definidas pelo fabricante — os diversores de fluxo mais usados, por exemplo, são compatíveis com aparelhos de 1,5 Tesla.

Guarde a carteirinha do dispositivo que você recebe depois do procedimento e mostre na clínica de imagem: é ela que diz qual stent você tem e em que aparelho a ressonância pode ser feita. Na dúvida, a clínica pode falar com o médico que fez o procedimento.

A vida com um stent na cabeça

Depois da recuperação, que costuma ser de poucos dias, a maioria das pessoas volta à rotina: trabalho, atividade física e viagens, inclusive de avião, conforme a liberação do médico. O stent não se mexe nem "sai do lugar".

O acompanhamento inclui exames de controle — angio-ressonância, angiotomografia ou nova angiografia — em intervalos definidos para cada caso, para confirmar que o stent está aberto e que a doença foi tratada. E continua valendo o cuidado com pressão, colesterol, diabetes e cigarro, que protege todos os vasos.

Próximo passo

Seu médico falou em colocar um stent?

Numa consulta — presencial em Goiânia ou por telemedicina — revisamos seus exames juntos, explico qual stent está sendo proposto, por quê, e quais são os riscos e as alternativas no seu caso.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

Quem tem stent na cabeça pode fazer ressonância?

Na grande maioria das vezes, sim. Os stents usados no cérebro e no pescoço são compatíveis com ressonância em condições definidas pelo fabricante — os diversores de fluxo mais usados, por exemplo, com aparelhos de 1,5 Tesla. Leve a carteirinha do dispositivo ao exame.

Stent na cabeça é perigoso?

Como todo procedimento nos vasos do cérebro, tem riscos — os principais são AVC durante ou depois, trombose do stent e sangramento. O tamanho do risco depende do caso, e a indicação só é feita quando a doença sem tratamento oferece mais perigo do que o procedimento.

Quanto tempo dura um stent na cabeça?

É permanente. Com os meses, a parede do vaso cresce por cima da malha e o stent passa a fazer parte dela. Ele não precisa ser trocado.

Vou tomar remédio para sempre depois do stent?

Quase sempre há antiagregantes — AAS, clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor —, em geral dois juntos por alguns meses e depois um só, por tempo prolongado. O esquema é definido para cada caso. Não pare nem troque o antiagregante sem indicação da equipe que acompanha o seu stent: a interrupção antes da hora é a principal causa de trombose do stent.

Posso viajar de avião com stent na cabeça?

Sim, depois da recuperação e da liberação do médico. Voar não afeta o stent.

Qual a diferença entre stent e diversor de fluxo?

O diversor de fluxo é um tipo de stent, com a malha bem mais fechada, feito para tratar aneurismas: ele desvia o sangue para que o aneurisma se feche sozinho com o tempo. O stent comum tem a malha mais aberta e é usado para abrir vasos estreitados ou para segurar molas dentro de um aneurisma.

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Dr. Marcos Spadoni
Dr. Marcos Spadoni
Neurocirurgião Endovascular · CRM-GO 10473

Neurocirurgião endovascular, com formação em neurorradiologia intervencionista no Instituto ENERI (Buenos Aires) e observer no Barrow Neurological Institute (EUA). Atende no Hospital Israelita Albert Einstein, no Mater Dei Premium e no Hospital Neurológico, em Goiânia, e por telemedicina para todo o Brasil. Conheça o Dr. Marcos →

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. A indicação de stent, o tipo de dispositivo e os remédios dependem de avaliação individual.

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